TIC e Sociedade

- Papel do papel nas sociedades contemporânea e futura;

O papel, inventado há cerca de dois mil anos atrás, tornou-se um suporte prático e eficaz no armazenamento de informação. Com o crescente desenvolvimento e com a vulgarização das tecnologias da informação e comunicação seria de esperar que o papel perdesse a sua utilidade, contudo tal não se verificou. O papel desde há muito tempo que representa o principal instrumento de burocracia, dando a ilusão que sem papel não haveria a mesma. No entanto, as TIC não só provaram que não têm a capacidade de resiliência do papel como nunca se gastou tanto papel como agora, segundo Fernando Boavida. 

O papel é e continuará a ser uma importante ferramenta de armazenamento de informação pois é um suporte definitivo, enquanto as TIC são um suporte temporário e efémero pois com a evolução dos sistemas operacionais estes perdem a capacidade de ler formatos antigos.

- Poder das TIC enquanto armas de construção e destruição de uma sociedade; 

Embora as tecnologias da informação e comunicação tenham surgido inicialmente como um acréscimo à nossa vida, a conclusão a que chegámos através do texto é que estás estão, de facto, a “tomar-nos a vida”. O mundo virtual e o mundo real andam cada vez mais próximos e por vezes, a intensidade com que se vive este último é inferior fazendo com que, enquanto seres humanos percamos a nossa essência. Desde há muito tempo que se clama que a diferença é importante, mas a verdade é que cada somos cada vez mais iguais, como se estivéssemos em processo de estandardização. Isto acontece porque todos temos os mesmos hábitos, a mesma dependência das TIC. Postar e partilhar tornaram-se atividades tão comuns como tomar um café pela manhã. 

Já não precisamos ligar ou marcar um encontro para saber como andam os nossos familiares e amigos próximos, basta abrirmos o Facebook e ver o que por lá andam a partilhar para estarmos a par das novidades. 

Outra coisa que é comum encontrar nas redes sociais, e tecnologias em geral, e que é de extrema importância ressaltar, é a necessidade que temos, enquanto usuários, de mostrar que estamos a “viver” quando na verdade, até a nossa própria essência estamos a perder colocando muitas vezes a nossa vida em stand by.

- Potencialidades e riscos dos serviços digitais de localização.

Acreditamos que ninguém discorda do facto de ser bastante cómodo existirem aplicações que mandam diretamente a localização do sítio onde nos encontramos aos contactos que queremos. Isto porque, caso queiramos fazer um jantar em nossa casa não precisamos estar a escrever a morada na mensagem, ou supondo que os nossos pais nos vão buscar a um sítio que não conhecemos assim tão bem, não há necessidade de andar a perguntar às pessoas qual o nome da rua. 

No entanto, o controlo sistemático dos passos que damos torna-se assustador, quando nos colocamos numa perspetiva de fora. Como o texto nos indica, as utilizações dos serviços digitais de localização trazem além de facilidades imensos riscos e podem originar catástrofes irreparáveis. Imaginemos o seguinte: uma rapariga termina uma relação abusiva, o rapaz desconsolado com o ato e incapaz de aceitar o fim do namoro começa a ficar obsessivo em controlar a vida da sua ex-namorada. Através de inúmeras aplicações o rapaz consegue ter acesso às coordenadas da rapariga e, imaginando que num dia em que a sua raiva está incontrolável vai atrás dela e acaba por lhe fazer mal. 

Pode parecer um exemplo dramático, distante, mas é importante pensarmos que este cenário representa apenas uma das inúmeras consequências negativas que os serviços de localização podem gerar. 

Embora nunca se esteja há espera de uma situação destas a verdade é que cada vez que o comodismo fala mais alto que a própria noção corremos riscos similares. 

Antigamente ninguém enviava a sua localização a ninguém, no entanto toda a gente conseguia fazer tudo o que tinha a fazer e encontrar-se com quem tinha a encontrar. Seremos nós, sociedade moderna do século XXI, incapazes de chegar a um determinado local sem utilizar um GPS?

 

Ana Maragarida Gomes a68264, Catarina Cardoso a68267


publicado por - fcar - às 16:50 | comentar | favorito