Saudade que dói
Quais são as coisas que te fazem felizes? Há algum tempo o meu maior medo era de facto não ter vivido a minha vida e chegar aos 80 anos e não ter histórias para contar aos meus netos e filhos. Que, ao sentar com os meus amigos, não tivesse alguma história engraçada e maluca para compartilhar de como eu vivi nos meus vinte e poucos anos.
Foi então que eu comecei a viajar, foi então que eu decidi que antes dos 30 já teria pulado de paraquedas, teria conhecido pelo menos um país de cada continente (já foram quase todos, falta só Oceania e Ásia), teria feito mil amigos e morado em diferentes países.
Como todas as coisas do universo, nem tudo são só flores. E o que dói nesse caso é a saudade. Saudade das pessoas e das experiências. Acontece que a partir de determinado momento não há um lugar para chamar de casa mais, casa é onde a gente se sente bem e feliz, e percebemos que independentemente do lugar sempre haverá pessoas boas para deixar os nossos dias mais felizes. O problema é que como as coisas são temporárias o que fica é a saudade.
Saudade da conversa de um melhor amigo no interior do Goiás, no Brasil. Saudade da comida da vó, no nordeste do Brasil. Saudade de sentar-se na beira de um lago que parece o mar, em Chicago. Saudade de uma comida tailandesa no Brooklin. Saudade de uma experiência maluca na África do Sul. Saudade do colo de mãe quando as coisas começam a ficar ruins. Saudade de um croissant numa ruela em Paris. Saudade de ficar bêbado com desconhecidos em Amsterdã. Saudade, apenas saudades.
E quando se sente essa eterna nostalgia do que se já viveu? O ideal é focar no dia a dia e criar novas experiências e fazer novos amigos. Olhar o lado bom do dia-a-dia e ver que tem um amigo em cada canto do mundo. O difícil é arranjar tempo para ir matar as saudades.
Pelo menos experiências para contar aos meus netos/filhos e amigos eu já tenho. E é bom descobrir o que me faz feliz. E você? O que te faz feliz?
- Joyce Ferreira
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