Relações

'Relações', ao fim e ao cabo, todos centramos grande parte do nosso tempo em torno desta palavra. Mas afinal são as relações, algo tão importante? ‘Sim!’ A resposta é quase óbvia na cabeça de todos nós. Precisamos delas, precisamos de relações de amizade, amorosas, precisamos até de relações de mera convivência ou de trabalho. Há uns dias atrás questionei-me várias vezes acerca disto. E acho que é algo no qual muita gente não pensa por ser banal e vulgar, por fluir tão espontaneamente... Mas como distinguir relações que valem a pena de relações por um certo período de tempo ou conveniência? A todos nós, já nos aconteceu, com o passar dos anos, perder o contacto com certa ou determinada pessoa que até era importante no nosso quotidiano ou simplesmente perder o interesse por alguém. Muitas vezes passamos por amigos de infância, a quem atualmente, não dizemos mais do que um simples ‘olá’. As mesmas pessoas com quem já partilhamos anos e anos de nós mesmos. É triste? É. Mas talvez tudo isto funcione como um ritual de seleção, de restrição, mas acima de qualquer outra coisa de valorização. Existem diferentes tipos de relações como referi acima, e o mais frequente é colocarmos as de amizade e as amorosas à frente de qualquer outra. Na adolescência, que se traduz numa fase transitória das nossas vidas, é frequente encontrarmos um rapaz de coração partido ou a tal rapariga que conhecemos de vista, que há anos que não acerta uma. E é ao observar o mais variado role de situações que me questiono acerca do que vale ou não a pena. Ir ou ficar. Sendo uma fase transitória, devemos aproveitar toda e qualquer relação para evoluir e não ficar agarrados á perspetiva de ‘para sempre’ que um dia prometemos a alguém? Muitas vezes é quase inevitável a sensação de culpa ou frustração que fica, mas é ela que nos faz evoluir. Ou queremos acreditar que sim. Em conversa com um amigo meu, falávamos em como com a entrada na universidade, a lista prolongada de amigos se ia restringindo a muito poucos. Os realmente importantes. E muitos de vocês de certeza absoluta já se deram conta que o grupo que tinham há uns anos atrás, não é mais o mesmo. Com o tempo, fizemos um ‘upgrade’ de nós próprios, o que nos torna incompatíveis. Outros simplesmente deixaram de ter algo que os ligue. Com o passar do tempo, aprendemos que ao contrário do infantário, os nossos amigos não são mais quem joga á bola connosco; ou os que trocam uns quantos autocolantes que têm repetidos. E é por isso, que a certas pessoas dou um valor quase incondicional que a outras nunca conseguiria sequer mostrar. Porque os amigos, são quem escolhemos. Uma segunda família. Mais do que qualquer relação interpessoal, devemos gostar de nós próprios, não facilitar a nós mesmos um prematuro sentimento de não corresponder ao que sempre ambicionamos ser ou ao que várias vezes nos descrevemos como. Quem não é capaz de se relacionar consigo, dificilmente o fará com mais alguém. Raquel Figueiredo 44663
publicado por - fcar - às 21:08 | comentar | favorito