O poder mediático do número
Lidar com estatísticas requer dos jornalistas nada mais do que aquilo que o próprio quotidiano profissional lhes exige: que façam perguntas. «Sem ser questionado, um número é apenas um número, uma sucessão inerte de algarismos». O poder mediático dos números é desmedido. «Se mostra que algo mudou, são notícia. Se causam surpresa, são notícia. Se são inéditos, são notícia» – é mesmo avançada a hipótese de que o facto é um número, então ele é invariavelmente notícia. O inevitável magnetismo dos números é, no entanto, entrave ao natural questionar da facilidade com que se apresentam dados estatísticos, portanto números, percentagens, taxas, em títulos noticiosos. «Questionar um dado estatístico vai muito além de indagar se vale a pena ou não fazer dele uma notícia. Os números que chegam às redações em comunicados de imprensa, anúncios, relatórios ou entrevistas não revelam, logo à partida, tudo o que importa saber sobre eles. Sós, são números frios que dificilmente interessarão ao cidadão comum. As estatísticas precisam de explicação, de contexto, de vida.» – jornalistas e editores têm de fazer mais para dar enquadramento às estatísticas de modo a que a audiência compreenda o seu sentido, ou significado, num processo quase professoral que passa, inevitavelmente, por uma compreensão prévia de interpretação estatística por parte do próprio jornalista. «E como? Fazendo perguntas. Cada um, com a sua própria sensibilidade, saberá o melhor caminho a seguir» Ao jornalista o poder discricionário do jornalista.
Com base na obra “Que número é este?” – Fundação Manuel dos Santos
Miguel Balança 54638
Com base na obra “Que número é este?” – Fundação Manuel dos Santos
Miguel Balança 54638


