O pior tipo de censura

Já pensaram como por vezes nos forçamos a medir as palavras, a não afirmar aquilo que realmente pensam ou sentem a respeito de algum assunto. Essa é a atitude politicamente correta, o que se espera de nós em certas situações ou contextos. É assim que se evitam os dissabores de pensar pela própria cabeça e de ter opinião própria – se não a assumirmos publicamente, não nos pode prejudicar. Esse é, a meu ver, o pior tipo de censura que pode existir, a auto-censura. Esta é uma forma-de-estar que aos poucos vai destruindo a nossa individualidade e a nossa liberdade. É o fenómeno que foi estudado por Elisabeth Noelle Neumann, o qual chamou de ‘espiral do silêncio’. Este fenómeno faz com que os indivíduos, numa atitude inconsciente de evitar a exclusão social, evitam manifestar ideias e opiniões que sejam incompatíveis com a norma ou com o consenso. Nos seus estudos determinou que 4 em cada 5 indivíduos têm tendência para agir desta forma, permanecendo em silêncio e sistematicamente reprimindo as suas ideias. Pressão social é algo acompanha os seres humanos desde os seus primórdios e em épocas e sociedades mais violentas, alinhar na ‘espiral do silêncio’ seria a melhor estratégia para sobreviver mais um dia. E nos dias de hoje, fará algum sentido para o indivíduo? Ou será apenas uma daquelas fraquezas dos quais se aproveitam os poderes político e económico para nos manter na linha?

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publicado por - fcar - às 12:59 | comentar | favorito