O lado negro do Glamour

Artigo de opinião, por: Catalina Borozan e Anaïs Pereira Quando falamos em Glamour, o brilho, o luxo, a moda etodo o tipo de estilos sofisticados que seguem à regra as tendências do ano, fazem parte da sua definição. As roupas são a personalidade que podemos comprar. Éatravés desses pedaços de tecido que tentamos demonstrar ao mundo quem somos e o que se passa na nossa mente, é quase como um rótulo que está colocado em nós. Hoje em dia compramos roupas em quantidade extrema, muito mais do que há uns anos atrás e falo por mim: Adoro a sensação de obter algo novo, o cheiro das lojas, os estilos combinados nos manequins e principalmente quando os preços são baixos! Mas de onde vem a roupa que usamos? Esta é uma questão que normalmente não nos surge à cabeça quando os preços são tão apelativos, no entanto, é uma questão que tem de ser feita, pois a informação reforça o nosso poder de escolha. Por de trás de todo o encanto que a moda nos fornece, há um lado negro que a maioria desconhece. A indústria da moda rápida é um dos que mais se destaca no que toca à destruição do nosso planeta. Pois, procuram produção a baixos custos e para tal acontecer, deixa-se de fabricar no nosso país e cria-se sedes fora. Se olharmos para as etiquetas da maioria do nosso vestuário, podemos verificar que são feitas na China, Cambodia, Marrocos,Tailândia, sítios onde a mão-de-obra é barata e onde muitas das vezes são crianças que as produzem, em locais que não oferecem as condições mínimas de segurança ou preocupação relativamente aos direitos dos trabalhadores. Recorrem também ao uso de poliéster, uma substância de plástico não biodegradável, presente em quase todos os tecidos de hoje em dia. Assim, ao lavarmos a roupa essaspartículas eventualmente chegam ao mar, servem de alimento aos peixes e nós por fim, consumimos o peixe infetado. O poliéster por não ser um material natural tem de ser criado e para ser criado é necessário imensa energia, energia essa, que provém principalmente de energias não renováveis que contribuem incomensuravelmente para a degradação do ambiente. É um ciclo onde o ser humano tanto é o vilão como a vítima e o preço baixo que pagamos pela nossa roupa agora, irá sair-nos caro no futuro. Estão a ser criadas formas sustentáveis de produzir aquilo que vestimos, mas está nas nossas mãos, como consumidores, tomar certas medidas para prevenir um mal maior. Temos o armário cheio, contudo nada para vestir, é a frase que nos sai da boca todas as manhãs e deixa-nos exaustos. A pergunta que temos de nos fazer a nós mesmas é “o que é que mais gostamos e mais precisamos do nosso armário? Se mantivermos isso em mente, iremos comprar realmente aquilo que gostamos, consumindo menos e investindo um pouco mais em peças de maior qualidade e maior durabilidade. Verificar as etiquetas, perguntar às marcas o nome das indústrias, se são peças orgânicas ou não, é um direito nosso e devemos fazê-lo. Uma outra solução para diminuir um pouco os danos, é a doação da roupa que pretende deitar fora, desta forma, é reutilizada e são duas boas ações que faz de uma vez. Só temos uma casa, o nosso planeta, e o nosso dever é protege-lo nem que seja com pequenos gestos, porque um simples bater de asas de uma borboleta pode criar um furacão.
Catalina Borozan
publicado por - fcar - às 12:28 | comentar | favorito