Maquilhagem na Sétima Arte: o Sucesso de Euphoria

            Um dos aspetos que contribuiu para a viralização e culto de Euphoria foram os fantásticos looks de maquilhagem usados na série, sendo esta uma febre que vai para além dos seus espetadores. A euforia pelas maquilhagens extravagantes de Euphoria invadiu as redes sociais e convidou uma geração a usar a maquilhagem como forma de expressão do seu eu mais puro, sem complexos nem barreiras, sem géneros ou preconceitos, sem certo ou errado. Uma revolução artística da personalidade de cada um.

            Através desta arte, por vezes não tão tida em conta, em comparação com outros aspetos cinematográficos de uma produção, Doinella Davy, a artista por detrás deste enorme sucesso, consegue contar a história de cada personagem através da sua maquilhagem: esta vai alterando ao longo da narrativa, representando perfeitamente a personalidade de quem a usa e acompanhando o desenvolvimento da personagem, intensificando o desenrolar da metamorfose de cada interveniente. A maquilhagem na série Euphoria é o exemplo perfeito de como esta pode ser um valioso elemento de como percecionamos a identidade de cada personagem no universo plástico da narração.

            Observando agora um exemplo específico, a personagem de Kat Herman, interpretada por Barbie Ferreira, tem uma narrativa baseada na libertação sexual e no empoderamento feminino, sendo que durante a primeira temporada, esta embarca nesta viagem de autodescobrimento e aceitação. No início da 1ª temporada, esta usa looks mais discretos, sem destaques, no entanto, no fim da temporada, esta prima pelos tons vibrantes e pormenores mais arrojados. Ou seja, passa de uma imagem mais virginal e discreta, para uma de quem assume o seu papel de uma mulher segura de si e sexualmente empoderada.  

            Euphoria é um exemplo claro de como a maquilhagem é arte no mundo audiovisual e como é uma ferramenta de construção da personagem na sua realidade, indo para além do uso habitual desta e tornando-a numa parte integrante da narrativa, provando que uma boa direção de arte conta uma história tão bem quanto a ação em si.


Mariana Rocha (a64951)

publicado por - fcar - às 03:24 | comentar | favorito