Fwd: Jornalismo e Fake News
De: cc ualg <ualgcc@gmail.com>
Date: sexta, 21/05/2021 à(s) 09:41
Subject: Jornalismo e Fake News
To: a-ovelha-negra+2010 <a-ovelha-negra+2010@post.blogs.sapo.pt>
Nunca antes o jornalismo foi tão essencial quanto é hoje. Isso porque antigamente não existiam tantas maneiras diferentes de ter acesso a informação quanto observa-se na atualidade: primeiro veio a imprensa e gradualmente foram inserindo-se outros meios: o rádio, a televisão... o maior vetor das fake news era o boca a boca, a fofoca do público. Parte desse cenário segue inalterado hoje em dia. A grande diferença é que antigamente não haviam grupos de Whatsapp, perfis no Facebook e no Twitter, nem posts no Instagram. Hoje os meios são outros, e são muitos.
Por isso o jornalismo – a práxis ética e coerente – é tão necessário para a sociedade. Estranhamente, nunca antes essa prática enfrentou adversidades tão além das preocupações regulares da profissão. Por exemplo, apesar dos constantes esforços de checagem em quase todas as redações, existem aqueles que acreditam que as grandes emissoras e empresas de comunicação, assim como seus profissionais, são os culpados pela onda crescente de desinformação e propagação de notícias falsas, ainda que isso seja absurdo.
Em parte, estas pessoas não estão erradas. Um jornalista ou grande veículo de comunicação não pode-se dar o luxo de cometer erros. Afinal, o facto de que uma mentira repetida mil vezes pode vir a ser verdade já não é um conhecimento desses tempos. Aqui coloca-se em perspetiva o mais antigo paradoxo do mundo jornalístico: velocidade versus precisão. A necessidade de publicar a informação a tempo para a edição da manhã seguinte e a responsabilidade jornalística para com a veracidade dos factos que estão a ser publicados. Mas isto é uma dificuldade com a qual o mundo jornalístico já acostumou-se a lidar. Uma razão mais para não justificarem-se os imensos erros que ocorrem vez ou outra em publicações de renome.
Mas veja lá, isso não é tudo. O que por vezes esquece-se de mencionar é a responsabilidade do leitor em meio a toda a confusão. Justamente por conta da facilidade com a qual o público consegue interagir, entre si próprio e com os jornais. As redes sociais acrescentaram aí a velocidade e o descuido que faltavam para a receita do desastre: é muito fácil e comodo para o leitor compartilhar um link no grupo da família ou postar um stories no instagram com um facto que não aconteceu. A interação facilitada proporcionada por redes sociais e a falta do hábito de questionamento por parte do leitor são uma combinação perigosa, principalmente quando se tem informação em excesso e facilmente acessível.
Está aí outra coisa que ajuda a propagar desinformação: muitas coisas diferentes sobre o mesmo assunto disponíveis para todos. O leitor que não é capaz de questionar certamente não será capaz de selecionar. De certo vai ler aquilo que justifica ou endossa sua opinião própria. Isso pode ser extremamente prejudicial, não só para o indivíduo em questão mas também para a sociedade como um todo, por que limita o diálogo – uma pessoa que não sabe como e porquê o outro pensa é uma pessoa que não consegue manter uma conversa com esse outro.
Apesar de potencializar todos esses aspetos negativos, as redes sociais também tem muitas vantagens... a praticidade, a agilidade, a facilidade.... tudo isso é extremamente importante, principalmente no mundo globalizado em que vivemos hoje. O que é preciso é ter responsabilidade para sabe utilizar essas redes sociais, assim como as novas tecnologias.


