ESTOU SEM TELEMÓVEL, E AGORA!?
A dependência nos telemóveis não é novidade, atualmente temos tudo nessa pequena caixa de metal que carregamos connosco no bolso para todo o lado. Num destes dias eu mesma carregava esse precioso aparelho no bolso, aparelho esse que faz tão parte de mim que me esqueci que o tinha e sem dar conta caiu para dentro de uma sanita. Depois seguiu-se o horror, o ecrã preto, não ligava, não dava sinal de vida. Percebi que o pior tinha acontecido, tinha ficado sem telemóvel! Primeiro o pânico total, depois a consciência de que me tinham amputado um braço. Todo o processo de mergulhar o telemóvel em arroz duraria aproximadamente 72 horas pelo que esse seria o tempo de espera e tortura no qual as minhas mãos estariam liberadas desse aparelho fundamental para a existência humana. Pensei "Tu consegues Rita, não é como se fosses viciada". No primeiro dia acordei e senti-me perdida, não tinha um relógio pelo que não fazia ideia de que horas se tratavam, não pude fazer a minha actualização dos acontecimentos matinal onde corro as redes sociais a ver o que aconteceu na minha ausência, nem pude dizer o Bom dia diário aos meus pais. Apercebi-me que as 72 horas que se seguiam iriam ser um culminar de angústia, ansiedade e privação do mundo. Porém fiquei surpreendida com a sensação de liberdade que acabou por resultar da carência do telemóvel. Vivemos num mundo de reações, esperamos as reações instantâneas aos nossos posts, publicamos uma fotografia e passado 1 minuto temos 100 likes, procuramos a aprovação da sociedade nas redes sociais, tentamos a todo o custo acompanhar o ritmo das mesmas. Será que esta é a nova realidade!? Um mundo dependente de um aparelho de poucos centímetros? Se as redes sociais ficassem bloqueadas durante 1 mês as nossas vidas continuavam na normalidade ou se instalava o pânico total? Rita Afonso nº 61499


