Como Invincible (2021) alterou o paradigma heroico representado nos media
Robert Kirkman, mais conhecido pelo seu trabalho notável em The Walking Dead, criou Invincible, uma história de banda desenhada, publicada desde janeiro de 2003 a fevereiro de 2018. Recentemente, esta história veio para o mundo digital das séries animadas, tornando-se algo revolucionário no paradigma heroico representado nos media por várias razões que irei especificar posteriormente.
Invincible conta a história de Mark, um rapaz de 17 anos que, devido às origens do seu pai, adquire superpoderes no auge da sua adolescência. Ao longo da obra, explora-se a vida quotidiana de Mark e como este se depara com dificuldades em equilibrar a sua vida considerada “normal” e sua vida excecional de super-herói. Logo com uma reviravolta no primeiro episódio, Invicible consegue agarrar o espetador de uma forma quase inexplicável e, para acrescentar, o elenco é possivelmente um dos melhores já selecionados da década, na minha opinião. Tem nomes como J.K. Simmons, Sandra Oh, Zazie Beetz, Mark Hamill, Seth Rogen, Zachary Quinto e Ezra Miller.
Todos os episódios são emocionantes, cheios de cor e bem escritos, tal que o espetador conseguirá indubitavelmente se identificar com alguma personagem. As personagens estão equilibradas e contextualizadas na história, não havendo espaço para gafes e a animação, para além de nostálgica, é espetacular nas cenas mais macabras e perturbadoras da série.
Relativamente à alteração do paradigma heroico, esta história destaca-se em relação às outras histórias de banda desenhada que envolvem super-heróis. Isto revela-se na forma como Invicible tenta apelar a um público adulto, não criando expetativas irrealistas na resolução de problemas que um típico herói sofreria e não escondendo qualquer ferida aberta ou mutilação no campo de batalha. E sim, com isto quero dizer que a série é bastante sangrenta, cheia de violência gráfica. A meu ver, estes elementos são quase refrescantes, no sentido de não haver camuflagem do “real”. É tudo muito mais realista e penso que isso seja o que torna esta série tão sedutora e fascinante.
Kirkman criou esta história numa «época em que o banho de sangue e humor sombrio Quentin Tarantino e Guy Ritchie estavam no auge» (Yuge, 2021), então, na altura, a banda desenhada obteve um grande sucesso e a série animada veio continuar esse legado.
Concludentemente, uma história que, nos dias de hoje, não seria tão conhecida, auferiu o seu reconhecimento e devido valor, mudando assim o rumo do conteúdo heroico que nos é disponibilizado pelos meios de comunicação.
A série animada está disponível no Amazon Prime Video, com um total de 8 episódios e 8,9 de classificação no IMDB.
Referências
Aliaga, V. (25 de março de 2021). Invincible: 5 motivos para ficar de olho na série de heróis. Obtido em 7 de maio de 2021, de IGN Brasil: https://br.ign.com/invincible/88161/feature/invincible-5-motivos-para-ficar-de-olho-na-serie-de-herois
Yuge, C. (10 de março de 2021). Conheça Invincible, herói que ajudou a criar Walking Dead e mudou a Image Comics. Obtido em 7 de maio de 2021, de Canaltech - Tecnologia para quem entende: https://canaltech.com.br/entretenimento/conheca-invincible-heroi-que-ajudou-a-criar-walking-dead-e-mudou-a-image-comics-180151/
a65598 – Denise Almeida


