(C)HATICES DE (P)ORTUGAL

Transportes públicos portugueses. Nós, algarvios, estamos a viver o sonho americano mesmo sem sairmos do nosso sítio. Até porque, convenhamos, a rapidez dos nossos comboios roça a velocidade do teletransporte. Num minuto estamos na estação, no fim do dia, na estação continuamos.

Preconceitos à parte, todos teremos de admitir o quão agradável é estar enlatado numa carruagem com mais, sensivelmente, 30 pessoas no espaço de desembarque onde 32 delas emanam a reconfortante fragrância de um mineiro depois de um turno de 12 horas. Isto tudo, nem o relógio marca 8 horas da manhã.

A mudança sazonal de horários pode ser fervorosamente apelidada de “oficialização de atrasos”. Vai na volta, é o relógio dos passageiros que está desacertado e isto é tudo um grandessíssimo mal-entendido.

Há bicha e não há bilhetes. Milhares de passagens são ofertadas: “Parabéns, é um dos mil selecionados no nosso sorteio! Com sorte, vai para o seu destino, com ainda mais sorte, não arreda pé da sua casa e atrapalhamos a sua vida.” Viajar de comboio e pontualidade são o casamento perfeito por territórios algarvios.

Um alívio é, quando, a poucas centenas de metros da nossa estação do destino fazemos uma paragem recreativa. O comboio cansou-se, paremos para tomar uma enorme dor de cabeça e enfado. Relaxados estaremos quando nos recostarmos no sofá, de onde não deveríamos ter saído. Marta Barbosa
publicado por - fcar - às 20:16 | comentar | favorito