A Triangulação da Arte Contemporânea

Sociedade de consumo é o termo atribuído à sociedade da atualidade: uma sociedade com altas taxas de industrialização e com um elevado consumo. Historiadores defendem que a sociedade de consumo eclodiu com a revolução industrial, com o aparecimento de novas máquinas para uma maior produção em menos tempo possível. Embora este panorama nos ofereça uma imagem satisfatória da sociedade de massas, a revolução industrial causou-nos, ao longo de vários anos, diversos problemas. Os EUA são o exemplo perfeito para retratar as consequências e o lado devastador desta realidade. A emergência do ‘’American Style of Life’’leva os EUA, em 1910, a uma crise de superprodução, onde havia demasiados produtos para pouco poder de compra, levando este país a declarar banca rota. Esta crise económica ficou conhecida como a crise de 1929, ou ‘’ A crise de Wall Street’’. Num panorama artístico, temos a triangulação de artista-divulgador-consumidor que é essencial para compreender melhor a integração da arte contemporânea na sociedade consumista. Com o passar dos anos, extinguiu-se a era industrial e implantou-se a era tecnológica, era que levou aos papéis de artista e divulgador a se interligarem um pouco mais. Agora, mais do que nunca, cabe ao próprio artista divulgar e publicitar a sua obra prima e, mais do que isso, seguir com as tendências. Por mais errado que isto pareça, a obra artística, com os anos, deixou de se concentrar e resumir ao misto de emoções do pintor/artista, e passou a ter um significado mais comercial. Ainda no panorama da era tecnológica e das tendências, devido aos meios de comunicação e outros facilitadores que possibilitam até ao senso-comum a estarem em contacto com as artes, o artista foi, aos poucos e poucos, perdendo o controle sobre a sua arte. De facto, muitos problemas sociais são hoje atribuídos às artes, como por exemplo a escultura, e constroem-se novos edifícios, novos projetos paisagistas, etc., para combaterem certas problemáticas. Sendo este o ponto de partida, os administradores públicos tomam as rédeas do projeto e tornam-se eles mesmos os realizadores, não deixando margem de manobra para o artista triunfar e ter algo a dizer sobre o seu trabalho. Um outro ponto que merece ser frisado é como a comunicação começou a ser crucial para o mundo artístico. As instituições, os críticos, os compradores, todos estes elementos fazem parte do sistema artístico e são estes que rompem com alguns padrões já estabelecidos, tornando, então, ser possível revelar quem consome e quem negocia. Sabe-se que, devido aos preços estipulados, são poucas as pessoas que podem dar-se ao luxo de ter em casa uma obra de arte, ou de até assistir a alguma forma de arte- Literatura, cinema, galerias, etc. Agora a arte passou a ser um negócio e, como já referi em cima, deixou de ser sentido. Portanto, a arte é já algo intelectual, pois o objectivo é vender mais e cada vez mais caro. Um último ponto que gostaria de realçar é a ‘’corrupção’’ nesta área. Na verdade, o segredo para um bom negócio no mundo das artes são as boas fontes, as boas ‘’cunhas’’. Por outras palavras, as galerias onde seus trabalhos são expostos podem, na maior parte das vezes, determinar o sucesso do trabalho exposto. Isto significa que muitas obras e muitos projectos que merecem os holofotes estão a ser deixados de lado, porque o artista não conhece o dono de uma boa galeria, ou então porque o dono tem filiações com outros artistas. Esta, para mim, é a maior das injustiças no mundo contemporâneo- tanto no mundo contemporâneo como em outros tempos. Ultimando, o esquema tripartido diz muito acerca da realidade que vivemos hoje em dia. Embora este trabalho esteja direccionado para a arte contemporânea, muitos destes pontos adequam-se a várias vanguardas ao longo dos tempos.

Carolina Araújo
publicado por - fcar - às 20:07 | comentar | favorito