A retrocompatibilidade nas novas consolas

                O mundo dos videojogos assiste à chegada das novas consolas da Sony e da Microsoft já neste mês com grande entusiasmo. A Playstation 5 e a Xbox Series X/S vêm estabelecer a nona geração de consolas e trarão consigo inúmeras novidades. No caso da consola da Sony, a Playstation 5, o Heads Up Display (HUD) será atualizado de modo a acomodar uma forma mais interativa de comunicação entre os jogadores e os próprios jogos, assim como a comunicação com jogadores em si. A Xbox em contrapartida, atualizará o seu hardware para o tornar o mais potente da sua geração, com 12 teraflops de potência de processamento, 3D Spatial Audio e uma ferramenta deveras interessante, o Quick Resume, que dá possibilidades aos jogadores de alternarem entre jogos rapidamente sem a necessidade de encerrar o jogo que estão a jogar no momento. A questão que muitos levantam, quando se trata desta nova leva de consolas é a questão da experiência visual. Afinal, os jogos estão a atingir níveis de realismo até então vistos apenas nas produções mais caras de Hollywood e, como tal, os jogadores procuram a melhor forma de viverem estas experiências audiovisuais. No entanto, há uma questão que não é abordada com tanta frequência; uma nova tendência que, a meu ver, se tornará como aquela que vai definir esta nova geração: a retrocompatibilidade.

                A retrocompatibilidade é uma ferramenta que dá a possibilidade de um jogador aproveitar um jogo de uma geração mais antiga numa consola moderna. Por exemplo, caso queira jogar Crackdown 2, um jogo originalmente lançado para a Xbox 360, na máquina mais moderna da Microsoft. Esta ferramenta não é nova, remetendo até aos anos 90 com a Sega como pioneira neste requisito, no entanto, com passar das gerações, esta ferramenta foi caindo cada vez mais em desuso. Na sétima geração apenas a Nintendo Wii era capaz de reproduzir ativamente os jogos da sua predecessora, a Nintendo GameCube. Após um grande apelo por parte dos fãs, a Sony finalmente deu a possibilidade aos jogadores de jogar os jogos da anterior consola, a Playstation 4, na adição mais recente à família Playstation. No entanto, contrariamente à estratégia adotada pela empresa rival, a Sony vai apenas garantir a retrocompatibilidade com a sua predecessora, deixando de parte as anteriores consolas que fizeram parte da vida de muitos (inclusive da minha). Já a Microsoft deu a possibilidade aos jogadores de poderem jogar com os comandos das gerações anteriores na nova consola e vice-versa, além de uma vasta lista de jogos de todas as suas anteriores consolas. Esta tendência tem os seus lados positivos. Já não é necessário comprar o mesmo jogo duas vezes, à semelhança do que acontecia nas anteriores gerações, sendo, portanto, uma ótima forma de poupar dinheiro numa indústria que continua a tornar-se cada vez mais dispendiosa. Aqueles que irão adquirir as novas consolas, mas não tiveram oportunidade de adquirir jogos das passadas gerações, encontrarão esta ferramenta bastante útil. No entanto, eu tenho outro ponto de vista.

                Para mim, a banalização da retrocompatibilidade representa a morte da criatividade no mundo dos videojogos. Acredito que muitos jogadores irão comprar jogos mais antigos de uma determinada empresa, ignorando completamente os novos lançamentos. Como tal, estas empresas irão repetir a “fórmula de sucesso” aplicada nos seus jogos anteriores. As mesmas franquias, as mesmas mecânicas, o mesmo jogo… vezes e vezes sem conta.

                Não me entendam mal, eu acho bem-vinda a retrocompatibilidade. Alguns dos meus jogos favoritos das gerações anteriores estão guardados graças à incapacidade da minha consola os reproduzir. Mas eu não quero ver a criatividade, que tanto me fascinou no passado, perder-se no meio desta bênção. Esta nova geração trará, sem dúvida, a vinda da retrocompatibilidade aos diálogos de muitos jogadores, e eu estou expectante a esta nova realidade, mas ao mesmo tempo receio que a repetição do mesmo jogo nas novas consolas desencoraje as empresas a tentarem criar algo mais inovador…

 

Luis Coelho - a68266


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publicado por - fcar - às 10:01 | comentar | favorito