A influência da cultura streaming na forma como vemos cinema
Plataformas de streaming, como a Netflix, radicalizaram a indústria do cinema e a distribuição de filmes. A Netflix tornou-se um dos grandes players da indústria de entretenimento e moldou esta década, e nestes últimos anos aliaram-se a grandes nomes para a produção de filmes, como Martin Scorsese (The Irishman) e Noah Baumbach (Marriage Story). A cultura streaming, o chamado binge watching e a disponibilidade constante e em qualquer lugar alteraram a forma como as pessoas veem filmes. Quando um amigo meu me disse que via filmes no telemóvel fiquei incrédula, e quando lhe perguntei se não preferia ver numa televisão e ele me respondeu que não, precisei de tempo para processar. Para mim, e para outros aficionados do cinema, o ato de ver filmes no telemóvel não faz sentido nenhum, pois um filme é pensado para um grande ecrã, para absorvemos todos os detalhes na maior qualidade possível, para apreciar os planos e tudo o que se encontra em campo, essa é a verdadeira experiência, a não acho que através de um telemóvel seja possível alcançá-la ou que seja sequer parecida. Este é só um dos pequenos exemplos como a atividade de ver filmes se alterou na era do streaming. Outro fator que a meu ver corrompe a experiência de ver filmes é a capacidade de parar o filme a qualquer altura e o abuso desta habilidade. Um filme é feito para ser visto do início ao fim e não para ver aos empréstimos como se fosse episódios de uma série, por exemplo, muitas pessoas disseram que viram The Irishman em pequenas partes porque era muito longo, mas será que não entendem que isso corta o ritmo do filme? Sim, talvez 3 horas de filme seja muito longo para algumas pessoas, mas nesse caso vejam quando tiverem tempo. Há ainda muitos outros aspetos que se tornaram diferentes. Isto para mim reflete uma falta de atenção e uma falta de estima pelo que está em ecrã.
A cultura streaming trouxe coisas positivas como a oferta de conteúdo em qualquer lugar e em qualquer dispositivo, apesar de ser uma oferta ainda algo limitada porque quantas mais plataformas surgem (HBO, Disney, Hulu, Amazon ) mais a divisão de conteúdo exclusivo se torna visível, e também devido aos catálogos que são relativamente insuficientes (sempre que procuro algo mais do que metade das vezes não está em catálogo). Mas também trouxe coisas negativas como os efeitos que tiveram na indústria cinematográfica (em produção de filmes e aderência a salas de cinema) e na forma como as pessoas veem filmes.
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