O paradigma Rock in Rio
Tive, felizmente, o prazer de ir ao Rock In Rio, no passado dia 2 de junho.
Foi, sem qualquer dúvida, uma experiência marcante e inesquecível.
Criou-se o paradigma de que o preço do bilhete não é paralelo à crise que se
vive atualmente em Portugal. Que afinal esta crise não é assim tão grave
como os media nos fazem ver diariamente nem o período é assim tão
conturbado, pois houve mais de 300 mil pessoas a pagar 61 euros para ir a um
festival de musica. Na minha opinião, este paradigma não podia estar mais
errado.
É um facto absolutamente indesmentível que Portugal atravessa neste momento
uma das maiores crises económicas da sua história. São variados os factores
que apontam nesse sentido: o imparável aumento da taxa de desemprego; a
incapacidade de muitas famílias em pagar os seus empréstimos à habitação ou
a outros bens; o crescente encerramento de empresas e fábricas, levando
dezenas, todos os dias, a ficar sem emprego, etc. Todo o clima negativista
que os meios de comunicação depositam diariamente nas pessoas, diminuindo a
esperança num futuro de qualidade para todos aqueles que ainda desejam dar o
seu contributo a Portugal, bem como aumentando o medo e o receio em torno
daqueles que já tanto deram a este país, com uma vida inteira dedicada ao
trabalho, com muitas cicatrizes que não almejam um salário que ultrapasse os
800 euros ou uma reforma que chegue aos 500.
Contudo, é igualmente um facto que os portugueses precisam e merecem
desligar-se um pouco deste massacre psicológico contínuo, e porque não
escolher, para tal, o maior e melhor espetáculo de música e entretenimento
do mundo?
Para aqueles que consideram o preço do bilhete diário caro ou excessivo,
discordo facilmente desta afirmação. O termo «Cidade do Rock» não é, de
todo, uma classificação à toa para este evento. O espaço é de facto
tremendo, a todos os níveis. Por um lado, temos as animações oferecidas pela
organização, que vão desde uma roda gigante, uma montanha russa, pinturas
faciais, caricaturas, entre outras. Por outro lado, temos toda a oferta a
nível musical. 5 espaços diferentes, todos eles de acesso incluído com o
bilhete. Temos a Rock Street (inovação na edição de 2012, com espetáculos de
artistas nacionais e internacionais, nas mais diversas variantes
artísticas), a Street Dance (espaço dedicado ao hip hop, rap e outros
estilos de dança, mais enraizados na cultura americana), a tenda electrónica
Heineken (uma autêntica discoteca que conta com a presença dos melhores DJ's
nacionais e internacionais), o palco Sunset (com grandes nomes da musica
portuguesa e latino-americana), e por fim o Palco Mundo, onde atuam todos os
cabeças de cartaz e onde a magia acontece. Para defender a minha teoria,
basta-me simplesmente «pegar» no exemplo do Palco Mundo. Passo a explicar:
no dia em que fui ao Rock In Rio, os cabeças de cartaz eram, para esse mesmo
palco, os The Gift, Joss Stone, Bryan Adams e Stevie Wonder. Ora, já tive a
oportunidade de ir a um concerto dos The Gift e o bilhete mais barato era de
15 euros. Um bilhete para um concerto da norte americana Joss Stone, no
nosso país, nunca custaria menos de 25 euros. Só aqui já estão investidos 40
euros. Para um concerto do Bryan Adams em Portugal, o preço mínimo da
entrada nunca seria, neste momento, inferior a 45/50 euros. No caso do
Stevie Wonder, este valor já deveria rondar os 60 euros, no mínimo. Fazendo
as contas, temos um total de 145 euros (no mínimo) só para estes 4
concertos. Ora bem, eu tive a oportunidade de assistir a todos eles, ainda
andei na roda gigante e assisti a um concerto no Sunset (dos Amor Electro) e
outro na Rock Street. Sendo que só cheguei ao recinto por volta das 18:30
horas. Paguei, por tudo isto, 61 euros. Se achei caro? Não. Se me arrependo?
Nem pensar. Para mim foi e será sempre um excelente investimento. Pelos
magníficos momentos, pela óptima experiência... Pelo excelente fim de dia e
noite que passei, na óptima companhia com que o passei (a minha namorada).
Concluindo, há que investir na qualidade e naquilo que sabemos que valerá a
pena. Nem que seja só por um dia, sabe bem haver uma libertação deste clima
negro e angustiante que atravessa Portugal de lés a lés. Não é por haver 61
euros para ir a um evento desta dimensão que a crise desaparece. Os
portugueses quiseram investir naquela que consideraram ser uma muito boa
via para se abstraírem da dura realidade que os rodeia. Isto deve ser, acima
de tudo, respeitado e valorizado.
André Jesus, nº 41783
Foi, sem qualquer dúvida, uma experiência marcante e inesquecível.
Criou-se o paradigma de que o preço do bilhete não é paralelo à crise que se
vive atualmente em Portugal. Que afinal esta crise não é assim tão grave
como os media nos fazem ver diariamente nem o período é assim tão
conturbado, pois houve mais de 300 mil pessoas a pagar 61 euros para ir a um
festival de musica. Na minha opinião, este paradigma não podia estar mais
errado.
É um facto absolutamente indesmentível que Portugal atravessa neste momento
uma das maiores crises económicas da sua história. São variados os factores
que apontam nesse sentido: o imparável aumento da taxa de desemprego; a
incapacidade de muitas famílias em pagar os seus empréstimos à habitação ou
a outros bens; o crescente encerramento de empresas e fábricas, levando
dezenas, todos os dias, a ficar sem emprego, etc. Todo o clima negativista
que os meios de comunicação depositam diariamente nas pessoas, diminuindo a
esperança num futuro de qualidade para todos aqueles que ainda desejam dar o
seu contributo a Portugal, bem como aumentando o medo e o receio em torno
daqueles que já tanto deram a este país, com uma vida inteira dedicada ao
trabalho, com muitas cicatrizes que não almejam um salário que ultrapasse os
800 euros ou uma reforma que chegue aos 500.
Contudo, é igualmente um facto que os portugueses precisam e merecem
desligar-se um pouco deste massacre psicológico contínuo, e porque não
escolher, para tal, o maior e melhor espetáculo de música e entretenimento
do mundo?
Para aqueles que consideram o preço do bilhete diário caro ou excessivo,
discordo facilmente desta afirmação. O termo «Cidade do Rock» não é, de
todo, uma classificação à toa para este evento. O espaço é de facto
tremendo, a todos os níveis. Por um lado, temos as animações oferecidas pela
organização, que vão desde uma roda gigante, uma montanha russa, pinturas
faciais, caricaturas, entre outras. Por outro lado, temos toda a oferta a
nível musical. 5 espaços diferentes, todos eles de acesso incluído com o
bilhete. Temos a Rock Street (inovação na edição de 2012, com espetáculos de
artistas nacionais e internacionais, nas mais diversas variantes
artísticas), a Street Dance (espaço dedicado ao hip hop, rap e outros
estilos de dança, mais enraizados na cultura americana), a tenda electrónica
Heineken (uma autêntica discoteca que conta com a presença dos melhores DJ's
nacionais e internacionais), o palco Sunset (com grandes nomes da musica
portuguesa e latino-americana), e por fim o Palco Mundo, onde atuam todos os
cabeças de cartaz e onde a magia acontece. Para defender a minha teoria,
basta-me simplesmente «pegar» no exemplo do Palco Mundo. Passo a explicar:
no dia em que fui ao Rock In Rio, os cabeças de cartaz eram, para esse mesmo
palco, os The Gift, Joss Stone, Bryan Adams e Stevie Wonder. Ora, já tive a
oportunidade de ir a um concerto dos The Gift e o bilhete mais barato era de
15 euros. Um bilhete para um concerto da norte americana Joss Stone, no
nosso país, nunca custaria menos de 25 euros. Só aqui já estão investidos 40
euros. Para um concerto do Bryan Adams em Portugal, o preço mínimo da
entrada nunca seria, neste momento, inferior a 45/50 euros. No caso do
Stevie Wonder, este valor já deveria rondar os 60 euros, no mínimo. Fazendo
as contas, temos um total de 145 euros (no mínimo) só para estes 4
concertos. Ora bem, eu tive a oportunidade de assistir a todos eles, ainda
andei na roda gigante e assisti a um concerto no Sunset (dos Amor Electro) e
outro na Rock Street. Sendo que só cheguei ao recinto por volta das 18:30
horas. Paguei, por tudo isto, 61 euros. Se achei caro? Não. Se me arrependo?
Nem pensar. Para mim foi e será sempre um excelente investimento. Pelos
magníficos momentos, pela óptima experiência... Pelo excelente fim de dia e
noite que passei, na óptima companhia com que o passei (a minha namorada).
Concluindo, há que investir na qualidade e naquilo que sabemos que valerá a
pena. Nem que seja só por um dia, sabe bem haver uma libertação deste clima
negro e angustiante que atravessa Portugal de lés a lés. Não é por haver 61
euros para ir a um evento desta dimensão que a crise desaparece. Os
portugueses quiseram investir naquela que consideraram ser uma muito boa
via para se abstraírem da dura realidade que os rodeia. Isto deve ser, acima
de tudo, respeitado e valorizado.
André Jesus, nº 41783


