Devo dizer que o teu post é realmente pertinente, numa época em que atravessamos uma das maiores crises de sempre. Claro está que a nossa e a geração vindoura são afetadas por estas circunstâncias e não deve ser permitido que se esqueça de um assunto como este. É realmente de preocupar o rumo que as coisas estão a tomar e só não sorrio mais devido a tais preocupações. Mais um ano (a pagar propinas que para mim são pesadíssimas) e depois irei deparar-me com a selva que é o mundo do trabalho. Se com curso já é difícil termos emprego, quanto mais sem ele. E a verdade é que tudo parece levar a que não tenhamos possibilidades para investirmos no nosso percurso académico, já que cada vez é mais difícil termos acesso a bolsas, e o valor das mesmas se torna gradualmente mais pequeno. Sinto um friozinho na barriga de cada vez que penso nisto e não são uns comprimidos que me vão aliviar isto...
Ana Félix a 17 de Abril de 2012 às 20:26
Infelizmente é mais uma problemática existente na nossa educação. Involuntariamente tendo a concordar com a opinião da igreja católica de que o ensino universitário vai voltar a ser
apenas para os ricos. A situação que o país atravessa está a tornar-se devastadora para aqueles que se querem licenciar e não conseguem por falta de rendimentos. Conheço pelo menos dois casos de alunos da UAlg que desistiram do curso porque não arranjavam emprego ou os pais não tinham rendimentos que suportasse a sua instrução na universidade.
Tenho a acrescentar que concordo plenamente com o comentário da Ana Félix quando diz que as propinas que pagamos são pesadíssimas.
Meghanne Barros a 18 de Abril de 2012 às 10:45
Sara, gostei do teu post. Já várias vezes tinha pensado na temática, mas nunca tinha escrito umas linhas sobre a mesma. Não sei se os cursos daqui a um tempo serão, ou não, só para ricos, mas decerto que o número de pessoas a estudar no ensino superior e com condições de efectuar o mesmo estudo com o mínimo de qualidade e dignidade, diminuirá. Posso falar no meu caso, que desde que entrei no Ensino Superior, em 2003/2004, na Universidade de Évora, sempre paguei as minhas propinas sem ajuda de pais, ou terceiros. posso dizer que não me foi dada bolsa, porque vivia na casa dos meus pais, mas fiquei desempregado e não pude continuar os estudos, tendo que abandonar a universidade, logo no 1.º ano. No ano seguinte, com grande esforço, matriculei-me na UALG, mas sem posses que me permitissem vir para o Algarve estudar e pagar uma renda de um quarto que fosse, quanto mais alimentação e fotocópias, entre outros extra, paguei as propinas nesse ano e não usufrui nada da universidade. Depois de muita luta e muitas dificuldades, entrei novamente para a UALG, como reingresso em 20010/2011. Se fizermos bem as contas, não são só as propinas (custos directos), mas também outros extra, (deslocações, alimentação, fotocópias (custos indirectos), que me pesam muito no meu orçamento. Mesmo depois de todo o esforço para regressar à Universidade e fazer o curso que desejo, já pensei várias vezes em abandonar...
Sou levado a aplaudir e incentivar, propostas que possam melhorar as condições de solidariedade entre alunos, tais como falaste (Loja Solidária).
Por isso digo a todos os colegas estudantes que continuem a acreditar e que tenham preserverança para alcançar os seus objetivos pessoais e profissionais, mesmo que não seja na altura que o desejaríamos.
Fábio Freira 28923
Fábio Freira 28923 a 18 de Abril de 2012 às 19:51
Excelente comentário Fábio. Obrigada pelo feedback, e quanto ao teu caso há que fazer por tudo para continuar... e já estamos quase! :)
Sara Viegas a 19 de Abril de 2012 às 21:00
Sara, obrigado pelas tuas palavras, acredita que tenho muita vontade de continuar e se possível terminar o curso nos três anos, para não ter de pagar mais um ano. Vou continuar a lutar para ver se consigo manter a cabeça a superfície da água. Mas o cansaço acumulado já começa a ser muito, o nível de dificuldade e de exigência aumenta, por outro lado, as empresas (por causa da crise, ou não) espremem os seus ativos até ao tutano. Isto significa no meu caso, que tenho pressão de ambos lados, e não raras vezes encontro-me numa dicotomia, ou faço os trabalhos da universidade, ou faço os trabalhos da minha empresa. Por vezes penso que os meus dias deveriam ter mais de 24h...
Fábio Freira 28923 a 20 de Abril de 2012 às 10:51
Infelizmente é a dura realidade de muitos colegas do Ensino superior, um pouco por todo o país. Com a crise cada vez mais galopante e devastadora da economia, os orçamentos familiares são cada vez mais reduzidos, obrigando muitas familias a terem de tomar opções dificeis, sendo uma delas tirar um filho do seu percurso académico. Independentemente das regras que possam vir a ser criadas para dificultar o acesso ao ensino superior, a adoção de medidas que pudessem ser úteis em tempo real para aqueles que estão nas Universidades e que, como é do conhecimento público, chegam a passar fome, isso sim seria de louvar. A iniciativa da loja solidária parece-me um primeiro passo, mas muito há ainda por fazer. Muitas campanhas de solidariedade são feitas durante as épocas festivas para ajudar as crianças carenciadas, os jovens de risco, o cancro da mama, etc. Parece-me que o caso de carência de muitos dos Estudantes Universitários que já desistiram é motivo de preocupação social, forte o suficiente para uma campanha.
Muito já foi dito pelos colegas que comentaram o teu post, e certo é que o problema na atribuição das bolsas só tende a piorar. Os cortes feitos pelo estado e nomeadamente a segurança social têm vindo a ser cada vez maiores, e a tendência será, se nós que ainda conseguimos cá andar e manter o barco no rumo certo, fizermos a nossa parte e tentarmos arranjar soluções e contribuir para que pelo menos a "fome" não seja nossa colega de mesa...
Espero sinceramente que a sorte possa continuar a sorrir também àqueles que têm menos posses...
Hernany Miranda a 15 de Maio de 2012 às 01:54
Concordo com os anteriores comentários a este post. Se se continuar por este rumo, a possibilidade de realizar um curso superior ou pós-graduações vai voltar a ser viável somente para os mais favorecidos, para as elites.
Porém, também gostava de frisar aqui um facto que ninguém abordou. Apesar de serem, em primeira instância, as universidades que perdem com os alunos a desistir (menos alunos, menos encaixe financeiro proveniente das propinas), a verdade é que hoje toda a gente tira um curso superior. Todos querem ser doutores, que maravilha! Ironia à parte, creio que isso é um fator que aumenta o desemprego, pois os cargos de licenciados estão "entupidos", e existem outros trabalhos, aqueles que basta fazer um curso profissional para fazê-los ou nem isso, e ninguém quer fazê-los!
Depois vemos licenciados nas caixas do Jumbo...
Frederico a 24 de Maio de 2012 às 23:46
Uma grande verdade.
Porém penso que também não podemos deixar de parte certos aspectos que para mim não têm desculpa. O facto de cada vez ser mais fácil entrar para a Universidade e concluir uma licenciatura deixa muito a desejar com a qualidade de técnicos especializados que vão para o mercado de trabalho. Hoje em dia, enquanto muitos "matam-se" a estudar pelo menos 12 anos até concluírem o ensino secundário, outros aproveitam-se de regimes de "maiores de 23" ou "Novas Oportunidades" (entre outros) e conseguem aceder a um curso de ensino superior sem precisarem de saber grande coisa, ou de terem sequer acabado o 9.º ano. A qualidade dos licenciados é muito duvidosa assim. Vejo muitas pessoas que nem sequer sabem escrever e pergunto-me como é que conseguiram chegar até aqui? Algo que antes era acessível apenas para os que mereciam através do seu estudo e do seu trabalho?
Outro aspecto que gostaria de evidenciar, é o facto de maior parte dos alunos que queixa-se de falta de apoios do Estado ou que é "forçado" a desistir porque não tem dinheiro, nem sequer pondera a hipótese de ir trabalhar enquanto estuda. Há muitos que o conseguem, e eu sou um exemplo. Não por necessidade, mas por querer manter um certo estilo de vida e também para ajudar os meus pais. Há certos cursos que acredito ser difícil conciliar um trabalho, mas não é impossível. E enquanto se queixam que não têm dinheiro, vão sair todas as quintas-feiras a jantares de turma e a festas. Para mim isso é desculpa. Sem contar com aqueles que forçam os pais a pagar uma casa ao pé da Universidade e depois nem se dignam em aparecer nas aulas.
Sim, as coisas estão difíceis e pagamos um absurdo de propinas, para além do dinheiro que ainda gastamos com fotocópias, livros e transportes para a Universidade. Na minha opinião, se desistem é porque não o querem assim tanto, porque tudo é possível com um pouco de esforço.
Iris Duarte
N.º37385
C.C.
Anónimo a 30 de Maio de 2012 às 11:46
Respondendo à tua questão sim, infelizmente acho que a Universidade, mais cedo ou mais tarde, irá servir apenas aos ricos. Muitos são os alunos, inclusive da nossa Universidade, que já tiveram de abandonar os estudos por não conseguir suportar o valor elevadíssimo das despesas escolares. Começamos com as propinas que rondam os 1000 € anuais, os gastos em transporte para quem não é de Faro e, para os de fora mas que vivem em faro, gastam o dinheiro nas rendas de casa e alimentação, mais as fotocópias, os livros.. Nem todas as famílias têm possibilidade de pagar as despesas da Universidade a um filho ainda para mais com a crise que Portugal atravessa. O direito à bolsa de estudo é cada vez mais restrito e complicado de se realizar e é desta feita que muitos nem sequer chegam a tentar. É triste que assim seja, pedem-nos que sejamos Doutores e depois cortam-nos asas e a possibilidade de realizarmos um dos nossos sonhos, pois para muitos uma Licenciatura é um sonho tornado realidade.
Bárbara Ferreira, a42006 a 5 de Junho de 2012 às 22:15
A Universidade pode vir ser só para ricos, é verdade. É verdade e é vergonhoso. A Universidade não faz parte do ensino obrigatório, e por isso tem que ser pago?
Quando a SIC comemorou o seu 20º aniversário, fizeram uma reportagem onde foram incluídos eventos e situações importantes de há 20 anos para cá. Ficou-me pela memória a imagem de uma manifestação de estudantes na década de 90 contra o pagamento de propinas. A lei das propinas foi implementada nessa década, o que provocou uma grande contestação e transtorno, pois essa mesma lei veio discriminar o acesso ao Ensino Superior pela parte de estudantes com menos posses, ou seja, uma privatização do sistema de ensino. A lei das propinas foi apenas um passo inicial num processo de desinvestimento público no sistema do Ensino Superior. Vi um estudo que mostrava o preço das propinas desde o seu início até ao ano lectivo de 2008/2009, que tem o aumento brutal de 14956%. É vergonhoso vermos o disparate de valores no nosso país enquanto há países onde o Ensino Superior se mantém gratuito.
Chega ainda ao absurdo de, este ano lectivo, terem entrado estudantes para a Universidade com nota negativa, de serem retirados apoios como as bolsas de estudo e comparticipações em passes escolares. Ainda mais absurdo é pensar que a Universidade Católica fez um estudo que comprova que a introdução da lei das propinas teve um impacto positivo para o país e que com isso houve um aumento do número de estudantes.
Concluindo, alunos brilhantes de nada lhes serve toda a inteligência se não tiverem dinheiro para investirem em si. O ciclo vicioso será que só estuda quem é rico, só tem bom emprego quem é licenciado, depois tornam-se mais ricos porque são licenciados, e quem não é rico assim se mantém, e com tendência para piorar. Se bem que a licenciatura, hoje em dia, é um investimento sem garantias de “lucro”.
Vanessa Santos nº41989 a 17 de Dezembro de 2012 às 04:07