Sistema de prevenção eficaz ou absurdo?

Nos Estados Unidos da América, um veterano da guerra no Iraque foi dispensado das aulas na sua universidade depois de ter escrito no jornal da escola sobre a sua necessidade de matar.
No artigo intitulado de “Guerra é uma droga”, Charles Whittington, estudante da Universidade de Baltimore em Catonsville, Maryland, descreve a sua tendência natural para a violência, que diz ser resultado do seu tempo no exército. “Habituaram-me a matar e depois de um bocado tornou-se numa coisa que tinha mesmo de continuar a fazer”, diz Charles. “Matar torna-se numa droga, é realmente viciante.” Diz mesmo sentir prazer em tirar uma vida e que precisa de matar para se sentir ele próprio.
Preocupados com a segurança da escola, o departamento administrativo expulsou Whittington do campus e proibiu-o de fazer parte das aulas até ser feita uma avaliação psicológica.
Whittington disse que o seu texto foi mal interpretado. “Não estou a dizer que farei alguma coisa. Não estou. Apenas tentei dar a conhecer este problema e de certa forma é uma maneira de me confrontar com este vício e despachá-lo. Não sou uma ameaça de maneira nenhuma. Não estou lá para magoar ninguém, estou lá por mim, para me educar e conseguir seguir em frente com a minha vida.”
Whittington está a licenciar-se em estudos gerais e esteve no exército no Iraque durante 21 meses, até Junho de 2007. Sobreviveu a três ataques surpresa e foi retirado do terceiro por uma equipa médica. Foi então diagnosticado de stress pós-traumático e danos cerebrais.
O texto foi intencionado originalmente para a disciplina de inglês, onde recebeu um A (equivalente a um 18-20), que resultou num encorajamento por parte do professor para procurar publicação do texto, que foi o que aconteceu em Outubro deste ano.
“Tendo em conta a era em que vivemos e o conteúdo e natureza do que ele escreveu no seu artigo, causou-nos alguma preocupação,” diz a porta-voz da universidade. “Tivemos de tomar acção contra o Sr. Whittington para assegurar a segurança da escola.”´
Temos aqui duas questões que me vieram à cabeça. Uma será um tema já debatido entre estudantes de comunicação: a neutralidade do jornalismo. Dei conta deste acontecimento através de um artigo escrito pela CNN, que escolhe muito bem a maneira como descreve a situação, fazendo questão de retratar Whittington como um viciado na guerra, sem revelar partes do seu texto onde menciona saber lidar com o problema e manter a sanidade mental. A verdade é que a CNN não foi a única a escolher esta perspectiva, e mais uma vez nos alerta para o poder dos média.
A segunda questão será a maneira como a universidade escolheu lidar com a situação. Já não é novidade que os Estados Unidos da América não perdoam qualquer ameaça ao ‘sistema’, mas não será esta prevenção levada ao extremo? Até onde deve ir a liberdade de expressão?

Maartje Vens n.º39319
publicado por - fcar - às 11:26 | comentar | favorito