A qualidade do ensino superior português
Mesmo que repleto de defeitos ou de imperfeições, ainda vamos conseguindo vislumbrar algumas qualidades no nosso sistema de ensino superior. No ranking anual realizado pela "Universitas 21", o nosso país subiu um lugar ocupando agora a 21ª posição. Ninguém estava à espera que Portugal conseguisse fazer frente a países como os Estados Unidos, Suécia, Suíça, Canadá ou a Dinamarca, mas também ninguém está à espera que esta subida ligeira num ranking vá diluir os problemas que nós, alunos, nos deparamos diariamente. Será que esta suposta qualidade do nosso ensino superior está de acordo com as propinas que pagamos? Não. E este é o problema fulcral que ainda se torna mais acentuado quando num país como a Noruega - bem referenciada - não existem propinas, exceto em alguns casos particulares. Não é irónico? Então nós estamos a pagar o quê? A qualidade que não temos... De acordo com o ranking, os itens avaliados são os recursos investidos, os resultados obtidos e a conectividade e grau de internacionalização das instituições. Critérios revistos e a subida de um lugar não merece tanto destaque como os nossos governantes e gestores a querem pintar. Não é um ranking que vai elevar o ensino superior português, em grande parte são os alunos que o frequentam mas, para isso, é necessária a criação de condições profícuas para esse desenvolvimento acontecer de forma quase natural. Este processo de melhoramento não vai acontecer de um ano para o outro, mas é preciso começar agora... sem olhar para rankings, observando o funcionamento real das instituições, sem fachadas, interiorizando realidades e, sobretudo, analisando as competências que um estabelecimento de ensino deve dar a um aluno que paga mil euros de propinas todos os anos. a44818


