O fundamento do meu ateísmo é um problema antimarxista, e isso aborrece-me
Há uma frase conhecida para os marxistas, capitalistas, interessados
em política e outros, com a qual muito me tenho debatido e me tem
retardado o sono nalgumas noites. A frase diz, e passo a citar:
"Problema teórico para o marxismo: porque a realidade não segue a
teoria? Um cérebro normal rejeitaria a teoria se ela não é compatível
com a realidade, mas o cérebro marxista não é normal: se a realidade
não confirma a teoria, pior para a realidade!". É um argumento forte.
Não só desconstrói a ideia de uma racionalidade superior no marxismo
como, de forma subentendida, deixa no ar a hipótese de os marxistas
sofrerem daquilo que em psicologia se denomina por dissonância
cognitiva. Sobre esta nuance não me alongarei, pois levanta questões
às quais provavelmente não saberei responder, mas a essência da ideia
anterior é que se a teoria não se coaduna com a prática, se não existe
uma materialização dos ideais, então de que vale defender algo tão
afincadamente e, além disso, fazer essa defesa como uma solução viável
para os nossos problemas?
Isto faz um paralelo intrigante com o meu ateísmo. Ser ateu, como
escrevi no "quem sou eu" que está disponível no repositorium, é mais
acerca de perceber e não querer acreditar do que não compreender a
liturgia que está escrita (posso, como já insinuaram, ser um amputado
espiritual ad eternum). Que relevância tem o referido problema nisto?
Explica a questão anterior. Porque o meu ateísmo é forte na mesma
medida que a Bíblia faz menção (e, para além disso, justifica pela
autoridade sobrenatural que nos controla) às piores características do
ser humano - aquelas que poriam Darwin a chorar por nos ter
"descoberto" assim - às calamidades que a Humanidade cometeu e às
ações horrendas que o que de mais perfeito existe, a outra suposta
"solução para os nossos problemas", executou e mandou executar. Então
pior para a realidade. Pior para quem tem de viver com esse fardo.
Pior para mim quando a razão do meu ateísmo atenta contra a estrutura
político-social que eu acredito que pode conduzir à normalização do
nível de vida da população ao invés do enorme fosso entre ricos e
pobres que hoje conhecemos.
André Santos, nº 45796
em política e outros, com a qual muito me tenho debatido e me tem
retardado o sono nalgumas noites. A frase diz, e passo a citar:
"Problema teórico para o marxismo: porque a realidade não segue a
teoria? Um cérebro normal rejeitaria a teoria se ela não é compatível
com a realidade, mas o cérebro marxista não é normal: se a realidade
não confirma a teoria, pior para a realidade!". É um argumento forte.
Não só desconstrói a ideia de uma racionalidade superior no marxismo
como, de forma subentendida, deixa no ar a hipótese de os marxistas
sofrerem daquilo que em psicologia se denomina por dissonância
cognitiva. Sobre esta nuance não me alongarei, pois levanta questões
às quais provavelmente não saberei responder, mas a essência da ideia
anterior é que se a teoria não se coaduna com a prática, se não existe
uma materialização dos ideais, então de que vale defender algo tão
afincadamente e, além disso, fazer essa defesa como uma solução viável
para os nossos problemas?
Isto faz um paralelo intrigante com o meu ateísmo. Ser ateu, como
escrevi no "quem sou eu" que está disponível no repositorium, é mais
acerca de perceber e não querer acreditar do que não compreender a
liturgia que está escrita (posso, como já insinuaram, ser um amputado
espiritual ad eternum). Que relevância tem o referido problema nisto?
Explica a questão anterior. Porque o meu ateísmo é forte na mesma
medida que a Bíblia faz menção (e, para além disso, justifica pela
autoridade sobrenatural que nos controla) às piores características do
ser humano - aquelas que poriam Darwin a chorar por nos ter
"descoberto" assim - às calamidades que a Humanidade cometeu e às
ações horrendas que o que de mais perfeito existe, a outra suposta
"solução para os nossos problemas", executou e mandou executar. Então
pior para a realidade. Pior para quem tem de viver com esse fardo.
Pior para mim quando a razão do meu ateísmo atenta contra a estrutura
político-social que eu acredito que pode conduzir à normalização do
nível de vida da população ao invés do enorme fosso entre ricos e
pobres que hoje conhecemos.
André Santos, nº 45796


